foto: Tatiana Guinle
bia dias

Entre aquilo que se escreve - a ferro e fogo - e a vivência da coisa quase indizível, silenciosa entre nossos corpos, segredada ao nossos abismos, está o contato do homem com a linguagem - essa aberração que nos humaniza, esse despertador para o trágico. Resta assumir essa condição e escrever, então, como gesto de resistência que nos impede de resvalar no banal.

Escrever para arranhar a humanidade, romper com a ordem, flertar com o desatino. Escrever por amar a errância, para encontrar um eixo ou perder-se sinuosa nesse corpo da linguagem: entre rasuras, esboços e cintilâncias.

Letra por letra a traçar uma escritura de novos mundos que se descortinam, lugar onde me fiz: no emaranhado de sensações com a língua, criando minha inscrição aberta ao feminino, escrita transgressiva e que vence a morte, assinada com a força do desejo em sua beleza convulsionada sempre a nos interrogar.

Bianca Coutinho Dias
Psicanalista, ensaísta, crítica de arte, autora do livro “Névoa e Assobio”
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